Uma coleção com as cenas de quase 40 dos mais dançantes filmes de Hollywood. De musicais à comédias, Fred Astaire à Michael Jackson, todos acompanhados pela trilha sonora do clássico da sessão da tarde “Footloose”. Arraste os móveis da sala, do escritório, quarto ou onde você estiver e dance também!
[Fim do dia] Dançando no cinema
03/09/2010[Cinema] Como Cães e Gatos 2: A Vingança de Kitty Galore
03/09/2010Apropriando-se de forma divertida dos clichês dos filmes de espionagem e da tradicional rivalidade entre cães e gatos, a aventura “Como Cães e Gatos – A Vingança de Kitty Galore” valoriza o gênero infantil, tirando o filme do novato Brad Peyton um pouco da rotina das produções voltadas a esse público. A produção estreia em cópias dubladas e legendadas.
Os personagens são os mesmos criados pela dupla Glen Ficarra e John Requa para o primeiro filme, “Cães e Gatos” (2001). Mas aqui o roteiro de Ron J. Friedman e Steve Bencich ganha mais liberdade para desenvolver as incríveis e performáticas missões dos cães Butch (voz de Nick Nolte na versão legendada) e Diggs (James Marsten), tendo que unir forças contra a vontade com a gata Catherine (Christina Applegate).
Tudo começa com o grande azar de Diggs, um pastor alemão atrapalhado e parceiro de um policial, Shane (Chris O’Donnell, um dos poucos papeis humanos). O cão é um tanto estabanado em suas iniciativas e provoca uma explosão. Como punição, é privado do distintivo e devolvido ao canil, apesar dos protestos de Shane.
Para sua sorte, Diggs vem sendo observado por uma espécie de serviço secreto canino e designado como novo parceiro do veterano Butch. Os dois têm pela frente um perigoso desafio – deter a gata Kitty Galore (voz de Bette Midler), que vai desencadear via satélite um mecanismo para atormentar todos os cães do planeta pela audição, tornando-os agressivos. Com isto, Galore espera que os cachorros sejam definitivamente banidos do convívio humano.
Mesmo dotados de muitos recursos – com uma coleira das mil e uma utilidades, que lembra muito as engenhocas do agente James Bond -, os dois cães não podem dispensar a ajuda da gata Catherine. Trata-se de uma agente do MIAUS, o serviço secreto felino, que também visa chegar a Galore, uma ex-integrante de suas forças.
O trio animal ganha o reforço duvidoso do pombo Seamus (Katt Williams), uma ave um tanto estúpida e tagarela que faz o papel desempenhado pelo burrinho na franquia “Shrek” – ou seja, é o pateta e o alívio cômico.
Para os adultos, algumas diversões extras são as referências à série de filmes do agente 007 – como o nome do chefe do serviço secreto felino, Tab Lazenby, inspirado no ator australiano George Lazenby, que interpretou James Bond num único filme, “A serviço de Sua Majestade” (1969). Completando a homenagem, quem dubla o personagem na versão legendada é outro intérprete de Bond, o ator inglês Roger Moore.
As referências cinematográficas são igualmente espertas e muitas vezes nada infantis – caso do personagem Mr. Tinkles, um gato prisioneiro de Alcatraz e idealizado à imagem e semelhança de Hannibal Lecter, o assassino canibal vivido por Anthony Hopkins em “O Silêncio dos Inocentes” (91).
As crianças, certamente, prestarão mais atenção à animação e aos efeitos especiais que garantem as expressões, gestos e a fala dos personagens animais com grande fidelidade e direito a muitas ousadias que seriam impossíveis com o uso de bichos de verdade – como seus voos e lutas. (Por Neusa Barbosa, do Cineweb)
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via Cinema em Cena
[Cinema] NOSSO LAR
03/09/2010É bom deixar claro: existe o Espiritismo e existe o filme Nosso Lar. O tema deste texto é única e exclusivamente o filme.
Nosso Lar é o longa metragem brasileiro roteirizado e dirigido por Wagner de Assis (de A Cartomante) e baseado no livro homônimo do médico André Luís, psicografado por Chico Xavier. Logo no início da trama, André Luís (Renato Prieto) morre (ou desencarna, na terminologia Espírita) e seu espírito é levado para um terrível purgatório que o filme chama de “umbral”. É ali que André tomará contato com os planos espirituais que ele sequer supunha existir, enquanto destilava arrogância e prepotência durante sua vida terrena.
Supervisionados por Geoff D. E. Scott (curiosamente o mesmo de Como Cães e Gatos 2: A Vingança de Kitty Galore, que também estreia nesta sexta-feira, 28 de agosto), os efeitos visuais são irregulares, por vezes de ótima realização, por vezes fracos. Mas, para o Bem e para o Mal, é impossível que passem despercebidos. Eles foram desenvolvidos no Canadá pela Intelligent Creatures (empresa que atou também em Babel e Watchmen – O Filme). Mais de 350 imagens de Nosso Lar têm algum tipo de inserção gerada em computadores, quantidade “nunca feita antes numa produção brasileira”, de acordo com a assessoria de imprensa do filme.
A direção de arte é a básica do tema, desde os tempos de shangri-lá: túnicas brancas, jardins verdejantes, pássaros e fontes em profusão, casas de um colorido sempre com sabor de recém-pintado. E uma inspiração arquitetônica a La Niemeyer. Se é verossímil ou não, só quem já esteve lá poderá dizer.
Com ares multinacionais, Nosso Lar não apenas teve seus efeitos desenvolvidos no Canadá como também contou com a trilha sonora do badalado norte-americano Phillip Glass e a fotografia do suíço Ueli Steiger (o mesmo de 10.000 AC).
Totalmente sintonizado com o pensamento de Allan Kardec, Nosso Lar é um filme sobre redenção, segunda chance e – principalmente – evolução. Ele opta por uma linguagem simples e direta – pode-se dizer até didática – com a finalidade de atingir o maior número possível de pessoas. Um didatismo que esbarra muitas vezes na ingenuidade, e que aponta para o catequético. No afã de não deixar arestas, prefere eliminar qualquer tipo de sutileza, para que não falhe em sua intenção doutrinária. Não é um erro, mas uma opção: perde o Cinema, ganha a Missão.
O livro Nosso Lar, no qual o filme se baseia, está em sua 60° edição no Brasil, onde vendeu cerca de 2 milhões de exemplares. Já foi traduzido para o inglês, alemão, francês, espanhol, esperanto, russo, japonês, tcheco, braile, grego e é um dos campeões de venda da literatura espírita.
O elenco – de interpretações um pouco solenes demais – traz ainda Fernando Alves Pinto, Rosanne Mulholland, Inez Viana, Werner Schünemann, e participações especiais de Ana Rosa, Othon Bastos e Paulo Goulart.
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via Cineclick
[Arquitetura] Casas inspiradas em filmes e desenhos
30/08/2010Casa dos Flintstones
Esta casa parece muito com aquela dos Flintstones. Ela está localizada nas montanha de Fafe, Portugal, e tem janelas, uma porta da frente e telhado. Com essa forma pouco comum para uma casa, uma forma esférica dá mesmo a impressão de q a casa saiu de um desenho animado.

Casa da Barbie
Criada pelo decorador Jonathan Adler na véspera do 50° aniversario da boneca Barbie. Em março de 2009, ele trouxe para a vida real mais de mil metros de casa na praia de Malibu, California. Ela foi baseada inclusive na própria casa de praia de brinquedo da Barbie ( Casa dos Sonhos de Malibu).

Casa da Minnie Mouse
A casa da Minnie já mais conhecida, ela foi feita para visitação. Fica na Mickey´s Tootown Fair em Orlando, Florida. Como ela é para exibição, tem algumas curiosidades engraçadas, como uma secretária eletrônica com mensagens do Mickey e do Pateta, e na cozinha você pode acompanhar um bolo assando e a pipoca estourando no micro-ondas.

Casinha do Snoopy
Esta versão gigante da casinha do Snoopy é usada como quiosque de informação do Museu Charles M. Schulz (criador do Charlie Brown). Ela fica em Santa Rosa, California.

Casa do Bilbo Bolseiro
Simon Dale não é arquiteto ou marceneiro, mas construiu uma casa perfeita para um hobbit morar. Demorou cerca de 4 meses para ficar pronta e custou algo em torno de 3000 libras ( cerca de 8 mil reais)

Casa da Hello Kitty
100% inspirada na Hello Kit, esta casa rosa está localizada em Taipe, Taiwan.

Casa de Bruce Wayne
Casa em estilo gótico, falta um homem vestido de morcego no telhado. Esta casa misteriosa realmente parece ter saído de Gotham City e o flash vermelho poderia até ser o batmóvel passando.

Casa inspirada em Star Wars
Na verdade esta casa é de 1970, 7 anos antes do lançamento dos filmes Star Wars. O arquiteto Claude King se inspirou na recente viagem a lua ( em 1969, Neil Armstrong tinha sido o primeiro humano a camihar pela lua). Mas a casa parece mesmo tirada de algum lugar de Tatooine ou outro palneta do universo de Star Wars. Ele fica em Chatanooga, Tenesse.

via funny picture from web
[Cinema] Par Perfeito
27/08/2010
Estrelada por Ashton Kutcher e Katherine Heigl, Par Perfeito é a mais nova comédia romântica do diretor Robert Luketic (de A Verdade Nua e Crua e Legalmente Loira).
Na trama, Katherine (também de A Verdade Nua e Crua) interpreta Jen, uma moça independente mas atrapalhada que, após receber um fora do namorado, parte em uma viagem romântica com os pais para a Riviera Francesa. Lá conhece Spencer (Kutcher), um rapaz que esconde sua profissão de assassino a serviço da CIA.
O casal se apaixona nas belas paisagens litorâneas e Spencer decide construir uma vida normal ao lado de Jen, deixando o seu ofício de matador. O amor entre eles floresce e, pouco tempo depois, o par é visto casado e feliz em um subúrbio americano.

A pacata vida de ambos passa por um revés quando o ex-empregador de Spencer volta para cobrar mais um serviço. Como manteve essa parte de sua vida em segredo, Spencer recusará a oferta, passando de algoz a vítima, numa espécie de queima de arquivo. Resta então ao assassino reabilitado salvar sua pele e de sua adorada mulher.
Com humor a serviço das cenas de ação, o filme explora a química entre os protagonistas. Enquanto Katherine Heigl, descoberta na série de TV Grey’s Anatomy, faz o papel de esposa enganada que passa a gostar de uma vida de aventuras, Kutcher repete as interpretações anteriores de anti-heroi engraçado, que, apesar de tudo, é um bom rapaz.

Como a produção não se importa de reciclar fórmulas, já repetidas à exaustão, sobra muito pouco de Par Perfeito, que se perde entre o ritmo lento e a total falta de conflito entre os personagens principais. Como tudo vira piada, não há uma real tensão, que deveria ser vital para a história.
Na pele dos controladores pais de Jen, Tom Selleck (o eterno Magnum) e Catherine O’Hara (de Sobrevivendo ao Natal) acabam na mesma vala de humor raso, apesar de fundamentais à trama. Ele não passa de mais um pai rigoroso e cioso de seus princípios, enquanto ela mostra-se uma alcoólatra feliz, alçada ao posto de alívio cômico.

O curioso nesta trama não é, enfim, as cenas de perseguição ou as relações entre os personagens, mas sua moral dúbia. Se é o amor que conserta, aproxima e torna todos felizes no fim, falta uma peça em Par Perfeito. O espectador mais atento poderá perceber isso no desfecho – mas revelá-lo aqui seria assassinar o final da história. (Rodrigo Zavala)
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via Cinema em Cena
[Cinema] Karate Kid
27/08/2010


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[Humor] Teste de elenco do TOY STORY 3
22/08/2010Os extras dos filmes da Pixar costumam ser tao divertidos quanto as próprias produções. E mesmo depois de alguns meses do lançamento de “Toy Story 3″, o estúdio continua publicando conteúdo original relacionado à animação. Os vídeos abaixo mostram o urso Lotso, o porco espinho alemão Mr. Pricklepants e 0 unicórnio Buttercup em “testes de elenco” para participar do longa.
[Cinema] Cabeça a Prêmio
20/08/2010Cabeça a prêmio, que marca a estreia na direção de longas do ator e diretor de teatro Marco Ricca (O Invasor), é, até certo ponto, sobre famílias de contraventores. No caso, são os irmãos Miro (Fúlvio Stefanini, de Caixa Dois) e Abílio (Otávio Müller, de A mulher do meu amigo). Eles não chegam ao poder político e monetário dos Corleone de “O Poderoso Chefão”, mas também não são pé de chinelo, como aquela família que rouba carros em Nossa vida não cabe num opala. Os irmãos são pecuaristas e também traficantes de drogas para aumentar a renda e continuarem bem de vida.

O roteiro é assinado pelo próprio diretor e Felipe Braga e contou com a colaboração do escritor Marçal Aquino (O invasor, Matadores), autor do livro homônimo adaptado no filme. A narrativa de “Cabeça a prêmio” move-se dentro de um grupo de personagens que cercam essa família. Como figuras de ficção, alguns são mais desenvolvidos, outros não levantam o voo prometido na primeira metade – como é o caso do matador Brito, vivido por Eduardo Moscovis, cuja história torna-se acessória na trama.

Isto vem de uma mudança de foco da obra original para a adaptação cinematográfica. Há duas narrativas. A primeira se concentra em Brito e seu colega de profissão, Albano (Cássio Gabus Mendes, de Chico Xavier), e a segunda em Elaine (Alice Braga) e o piloto de avião Denis (o uruguaio Daniel Hendler, de As Leis de Família). Ela é a filha rebelde e mimada de Miro, que vive uma paixão tórrida com o funcionário do pai, cuja vida passa a correr risco à medida em que o romance do casal ganha força.
Denis é a testemunha que pode colocar o pai e o tio de Elaine na cadeia. Por isso, a moça tem um dilema moral forte e torna-se a personagem mais interessante. A certa altura, seu namorado diz que tudo dará certo para eles, ao que ela comenta: “Para tudo dar certo pra gente, é preciso que tudo dê errado para o meu pai”.

Cabeça a prêmio trabalha em cima desses personagens humanamente contraditórios que cometem crimes, mas também atos de bondade. O próprio Brito, um matador de poucas palavras e emoções contidas, explode de amor que se transforma em ciúme quando conhece uma dona de bar (Via Negromonte, de Chico Xavier). A melhor definição para estes pessoas vem de seu colega Albano: “A gente é bom. Só que está do lado errado”. Quando um grande conflito interno como esse fica evidente, é que o filme de Ricca ganha força.

A narrativa passa-se numa região fronteiriça entre Brasil, Bolívia e Paraguai, o que funciona como uma metáfora para os personagens de Cabeça a prêmio, que transitam sem muitos escrúpulos entre os dois lados da lei ou de sua moral pessoal.
Ator experiente de cinema, teatro e televisão (atualmente, na novela Ti-ti-ti), Ricca estreia na direção de cinema com segurança e boa condução dos atores e da narrativa. Alguns problemas, como o distanciamento emocional e a falta de desenvolvimento de algumas tramas não diminuem a qualidade deste trabalho promissor.
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[Cinema] Coco Chanel & Igor Stravinsky
20/08/2010Tudo estava acontecendo naquela Paris do início do século XX. Uma noite emblemática aconteceu em 21 de maio de 1913, na estreia do balé A Sagração da Primavera, com música de Igor Stravinsky e coreografia e dança de Vaslav Nijinsky – provocando um tumulto no Teatro Champs-Elysées que obrigou a chamar a polícia.

Na plateia, estava presente uma outra artista fora do comum – a estilista francesa Coco Chanel, que rompia os parâmetros da moda e trilhava o caminho para tornar-se o sinônimo de figurinos clássicos e classudos que ultrapassariam seu tempo. Nascia também, naquela noite de 1913, a semente de um romance que só frutificaria 7 anos depois, entre Coco e Stravinsky.
Baseado em livro de Chris Greenhalgh – que está sendo lançado no Brasil – Coco Chanel & Igor Stravinsky, de Jan Kounen, não esgota sua atração neste tórrido caso entre dois dos maiores e mais temperamentais artistas do século passado. Embora não lhe faltem belas e quentes cenas de sexo, cuidadosamente iluminadas e encenadas, o enredo coloca em primeiro plano a troca entre estas duas personalidades extremadas no momento de sua máxima criatividade.

A oportunidade para o romance se apresenta em 1920, pouco depois da Revolução Russa e da I Guerra Mundial. Exilado e pobre, Stravinsky (Mads Mikkelsen, de Depois do Casamento) aceita a hospitalidade de Coco (Anna Mouglalis) em sua vila perto de Paris, levando sua mulher Katarina (Yelena Morozova) e seus quatro filhos. Sob as asas da já rica e consagrada estilista, ele encontra sossego e apoio para dedicar-se integralmente à composição de sua música extraordinária. As faíscas explodem entre Igor e Coco, dois seres voluntariosos. E Coco está só, desde a morte de seu amado Arthur ‘Boy’ Capel (Anatole Taubman).
Não existe espaço para a culpa no espírito independente de Coco. Igor não pode admitir o mesmo – e, para ele, a dualidade de sentimentos é maior, pois Katarina é sua melhor conselheira artística, embora seu corpo esteja tão doente, afetado pela tuberculose.

Embora contaminado por alguma frieza – que em parte tem sentido, para fazer justiça ao cerebralismo dos dois protagonistas -, o filme de Kounen dá conta de forma bem mais complexa da personalidade de Coco Chanel, cuja biografia antes da fama foi retratada um tanto palidamente em Coco Antes de Chanel, de Anne Fontaine – em que se focalizava o duro caminho da ascensão social da futura estilista (aqui, Audrey Tautou).
Como se poderia esperar, os figurinos são deslumbrantes e assinados pela Casa Chanel. A francesa Anna Mouglalis, aliás, é modelo exclusiva da grife.
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[Cinema] O Último Mestre do Ar
20/08/2010Toda a tradição do showbiz dos Estados Unidos está ligada à ideia de performance, do vaudeville à comédia stand-up. Não é difícil, então, entender por que M. Night Shyamalan tem sido tão espinafrado por lá. Cada vez mais, os filmes do diretor parecem ir contra o princípio do espetáculo.

Evidentemente, Shyamalan colabora com a crucificação – pelo menos desde 2006, quando sua rixa com a Disney serviu de tema de livro e os críticos viraram motivo de piada em A Dama na Água. Se o cineasta já parecia confortável interpretando o papel do autor incompreendido, esse processo se consumou este mês quando o estadunidense de ascendência indiana disse que seus filmes têm “uma sensibilidade europeia” que seus compatriotas não entendem.

O Último Mestre do Ar (The Last Airbender, 2010) é defeituoso, independente do continente onde seja exibido, mas está longe de ser o desastre nuclear que a crítica dos EUA pintou. Não dá pra julgar o filme sob a ótica do espetáculo se a sua proposta é o minimalismo e a interiorização. Aliás, nesse ponto, o longa é o avesso da série animada que lhe deu origem, que recorre ao humor o tempo todo, como um escape, para aliviar o peso do arco dramático.
A síntese da política antiespetáculo de Shyamalan, se dá pra chamar assim, é a maneira como ele enquadra e coreografa a ação, privilegiando os acontecimentos no segundo plano e a fluidez dos planos-sequências. É uma atitude zen por excelência – a luta de Aang (Noah Ringer) não é contra a Nação do Fogo, mas para superar o luto, encontrar sua paz interior etc. Centralizar o herói no primeiro plano e ver como ele reage (ou como não reage) a tudo o que acontece panoramicamente ao seu redor é o teste que Shyamalan impõe à concentração de Aang.

Fazer cinema zen de ação é uma contradição de termos? Talvez. Mas as escolhas de mise-en-scène têm sua justificativa; é no roteiro que está o ponto fraco. Os filmes anteriores do diretor lidavam com um volume restrito de informações – na verdade, no suspense, o essencial é omiti-las o máximo possível. Já em O Último Mestre do Ar, o primeiro trabalho de Shyamalan com um roteiro adaptado, a quantidade de dados é consideravelmente maior – afinal, toda a primeira temporada do desenho é condensada. No fim, a exposição acaba dominando a cena.

Isso significa que a maioria dos diálogos serve a um propósito funcional: sempre existe alguma informação a ser transmitida, e até na última fala do filme recebemos dados novos. Quem conhece o desenho talvez não se sinta tão perdido na torrente expositiva. Quem não conhece pode sair de O Último Mestre do Ar com a sensação de ter se afogado no didatismo.
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